ENTREVISTA DE JUNHO/2010: JOSÉ LUÍS MENDONÇA
Sex, 11 de Junho de 2010 09:10
Última atualização em Seg, 09 de Agosto de 2010 12:39
Escrito por José Ricardo Almeida
O entrevistado do mês de junho é
JOSÉ LUÍS MENDONÇA, mais conhecido como Jota entre seus amigos, botonista do América, de São José do Rio Preto (SP) e atual Presidente da Liga Riopretense e Regional de Futebol de Mesa.
01. Faça uma breve apresentação a seu respeito. Onde e quando nasceu? Onde e quando iniciou no futebol de mesa? Como aconteceu seu início na modalidade de três toques? Quais os tipos de regra que você já praticou? Qual a maior satisfação que o futebol de mesa lhe proporcionou?
Nasci em São José do Rio Preto (SP), em 14 de março de 1960. Comecei a jogar em 1969, com 9 anos, quando meu irmão mais velho me ensinou.
Início na regra 3 toques: vi um campeonato na TV, em 1986, sendo realizado em São José do Rio Preto, na época organizado pelo Marcelo Aranha, Alcides e Maurício. Fui até lá e participei da segunda divisão e venci o campeonato de duplas. Nunca mais parei de jogar. Além das regras de três e doze toques, também joguei a de um toque.
Além dos títulos conquistados individualmente e de clubes, a maior satisfação para mim são as amizades ao longo dessa minha carreira nesse esporte, pois valorizo muito mais os amigos do que os títulos.
02. O que o levou a optar pelo futebol de mesa como modalidade esportiva, em detrimento de outro esporte?
Minha paixão por este esporte vem da infância. Já pratiquei outros esportes, mas me identifiquei com o Futebol de Mesa porque encontrei nele algo que não havia encontrado nos outros esportes: as amizades, a oportunidade de dirigir uma entidade, as competições e os títulos que já conquistei além de poder jogar (vestir a camisa vermelhinha) pelo clube de futebol da minha cidade, pelo qual aprendi a torcer desde criança.
03. O que representa o futebol de mesa para você? Quanto tempo de sua semana você dedica à prática do futebol de mesa? Sua família apóia você?
No início era apenas um hobby mas hoje é uma profissão, visto que sou Professor de Educação Física e ministro aulas de futebol de mesa para crianças pela Secretaria de Esportes da cidade e pelo SESC e ganho pelas aulas. Além disso, encaro esse esporte profissionalmente, não amadoristicamente.
Jogo às quartas em casa e aos sábados na Liga e procuro ir a todos os campeonatos possíveis. Minha família normalmente não apóia minhas loucuras por esse esporte.
04. Qual o nome de seu time e o que o levou a esta escolha?
FIEL F. M. Porque sou torcedor do Corinthians e participei da Gaviões da Fiel e este nome é uma homenagem às torcidas organizadas do Timão.
05. Quais os botonistas que, ao longo de sua carreira, mais o incentivaram?
Nilson (Tio Nil), Aranha, Emerson e Beto.
06. Quais mais o influenciaram e impressionaram?
Vander, Marcus, Maurício (S. J. Rio Preto) e Emerson.
07. Quais mais o decepcionaram?
Igor Iuri Mendonça. Era um botonista arrasador na época de aspirantes (infantil/juvenil). Ganhava tudo. Depois não quis seguir no na categoria de adultos, mesmo tendo talento para isso e, por ser meu filho, eu apostava muito nele para conquistar títulos e jogar ao meu lado na equipe.
08. Em sua opinião, qual o tipo de time ideal, bainha, altura, diâmetro etc.?
Tem que ser o que se adapta ao atleta. Apesar de estar jogando desde 2007 com o mesmo time, sou um romântico do futebol de mesa. Jogo com qualquer time e me adapto fácil.
09. O futebol de mesa não se resume apenas aos títulos e troféus conquistados. Quais foram as suas maiores alegrias na carreira? E as maiores tristezas ou decepções?
Em termos de títulos, foi conquistar o paulista individual em 2007, porque é muito difícil vencer Emerson, Fernando, Constâncio (tricampeão) e Beto, em grande crescimento; e o Brasileiro de Clubes em 2001 pois, apesar de ter uma equipe de botonistas contratados, eu me senti vitorioso por ter conseguido juntá-los numa estrutura bem montada, com patrocínios e marketing e que deu certo, pois pude aperfeiçoar meu lado administrativo.
Em termos gerais, tive muitas alegrias, mas acredito que até o momento as maiores foram: o enorme número de amizades conquistadas ao longo da carreira; jogo com Oscar Schmidt (o Oscar do basquete) em 1995; ser presidente da C.B.F.M., entidade máxima do nosso esporte e a homenagem que recebi no Rio de Janeiro, em 2008, do pessoal da modalidade um toque.
Decepções, como disse em pergunta anterior, meu filho, por não ter continuado e, mais recentemente, nas discussões da regra, o fato de termos perdido a grande chance de modernizarmos nossa regra de três toques.
10. Qual a sua partida que você chamaria de inesquecível?
Até o momento são duas: 4 x 1 no Thiago Stephan, pela Copa Brasil de Clubes, em Belo Horizonte, em 2009, e 3 x 2 no Stumpf, no Brasileiro Individual de 2010, resultado que me levou a semifinal da competição.
11. Qual a sua pior partida, aquela que você não gostaria de lembrar?
Já tive péssimas partidas mas encaro todas elas como aprendizado. Por isso, não devo esquecê-las.
12. Descreva um fato pitoresco acontecido no futebol de mesa, dentro ou fora da mesa.
Bem, sou conhecido por fatos pitorescos, que só acontecem comigo, mas o maior deles foi no Brasileiro em Juiz de Fora, em 2007. Quando eu acabara de fazer um gol e passar à frente (2 x 1) do Miguel, acabou a luz, somente voltando no outro dia com bola ao alto, no centro de campo. A bola ficou para ele e armou uma jogada muito bem edificada, fazendo o gol de empate. O resultado ficou assim até o fim e ele se classificou, pois o empate o favorecia.
13. Existe uma conscientização generalizada em favor do "fair-play" nas competições esportivas. Apesar dos "quilômetros rodados", o que tira você do sério numa competição de futebol de mesa?
Melhorou muito, mas ainda pode melhorar mais para chegarmos ao ideal. Me tira do sério quando um árbitro da partida se engana ou não está concentrado na jogada e me prejudica. Junte a isso também meu adversário não acusar o erro do árbitro e passar a bola para mim, mesmo ele sabendo que é minha.
14. Qual o clube de futebol de mesa mais organizado em que você já jogou?
Só joguei pelo extinto Rio Preto F. M. e o América F. C. (atual). Acredito que o América sempre esteve bem organizado.
15. Qual a competição mais organizada de que você tomou parte?
Já participei de competições na regra de 3 toques, 12 toques e 1 toque. Em termos de organização, os eventos de 1 e 12 toques estão à frente da 3 toques, mas nos últimos anos o movimento de 3 toques melhorou muito e está mais próximo dos outros dois.
16. Quais são as maiores qualidades e os defeitos da regra de três toques?
Qualidades: maior semelhança com o futebol, muito mais técnica e maior raciocínio.
Defeitos: muita interpretação que às vezes confunde, tempo de jogo longo e facilidade para fazer “cera” no jogo.
17. Que sugestões você daria para a nossa regra ficar ainda melhor?
Vou repetir o que falo e luto por isso há mais de dez anos: tempo de jogo 20 x 20; tempo de reflexão 8 segundos; apenas duas “furadas” consecutivas, na 3ª, falta indireta (isso para evitar a “cera”); e fim do lateral e escanteio cavados, todos passam a ser normais, com direito a chute a gol se a jogada iniciou no ataque. São coisas que facilitariam o jogo e o aprendizado das crianças. Assim teríamos mais adeptos, sem contar a mídia e a organização dos eventos como um todo.
18. Em sua opinião, qual o maior problema enfrentado pela CBFM 3 toques no momento?
Conservadorismo, falta de ousadia para mudar e modernizar. Falta de profissionalismo. Pequena participação dos botonistas nas discussões e organização do movimento.
19. Que sugestões você daria para que o nosso movimento volte a crescer?
Mudança de atitude, ousadia, modernização, profissionalismo, colocar em prática as mudanças que eu sugeri na pergunta 17 em forma de teste por um ano, juntamente com as que já foram aprovadas. Após esse período, analisaremos o resultado e, ser for o caso, aprova-se ou não definitivamente.
20. Como você vê o atual momento do futebol de mesa paulista? Quais suas sugestões e expectativas em relação ao movimento no seu estado?
Um ótimo momento, onde Campinas juntando com o América e fortaleceu nosso movimento aqui em São José do Rio Preto. A expectativa é de fortalecimento e melhoria do nível técnico.
21. Atualmente você ocupa cargo de direção em algum clube, associação, federação ou confederação? Se sim, quais os seus grandes desafios?
Atualmente sou presidente da Liga Riopretense e Regional de Futebol de Mesa e secretário geral da C.B.F.M. Meu grande desafio na CBFM foi como Presidente até setembro de 2008: reestruturar, legalizar e organizar a entidade, além de colocar nosso esporte no bolsa-atleta, itens que foram realizados com sucesso.
22. Quais são seus projetos para o futuro no futebol de mesa?
Neste momento estou voltado para meu projeto de ensinar nosso esporte a outros professores de educação física e colaborando para que eles possam ensinar crianças e adolescentes em escolas, clubes, associações e inúmeras entidades para o nosso crescimento como um todo, além da construção da sede da Liga em São José do Rio Preto.
23. Fale-nos um pouco do seu clube atual, o AMÉRICA. Quais os problemas que ele vem superando? Quais os projetos para ele?
O grande problema que eu sempre enfrentei no América nesses 15 anos (feitos agora em junho) de clube são as mudanças de diretoria. O grande projeto é conquistar novamente o título do Brasileiro de Clubes e a Copa do Brasil.
24. É comum em nossas conversas surgirem listas dos cinco mais, o “TOP TEN".
Em sua opinião:
- Quais os dez melhores técnicos da nossa regra?
Marcus, Vander, Stumpf, Bruno, Lorival, Emerson, José Ricardo, Tarcízio, Roberto (RJ) e Renato Baumgratz.
- Quais os melhores dirigentes do futebol de mesa com que você já trabalhou?
Stumpf (3 toques), Robson (1 toque), Élvio (12 toques), Della Torre (12 toques) e Muradian (12 toques).
- Quais os melhores botonistas com quem já teve oportunidade de atuar em equipe?
Marcus, Bruno, Renato, Sibélius, Paulo Marcos, Emerson , Fernando e Maurício.
- Quais os dez melhores árbitros do futebol de mesa?
José Ricardo (DF), Benjamin, Vander, Marcus, Bruno Gil, Fernando, Stumpf, Evandro, Constâncio e João Eduardo.
25. Um sonho que você ainda não realizou no futebol de mesa?
Conquistar um título brasileiro individual e representar meu país em uma competição internacional.
26. Finalizando, deixe o seu recado ou impressões sobre o tema que preferir.
Bom, gostaria de falar sobre o episódio da contratação do pessoal do Tupi, em 1999. Fui mal interpretado naquela época. Primeiro, eles estavam sem clube para jogar. Então visualizei uma possibilidade de marketing e conquistas para o América, que possibilitaram, após a conquista do título brasileiro de 2001, patrocínios que até hoje estão sendo úteis para o desenvolvimento do pessoal aqui em viagens e intercâmbios voltados para o crescimento do nível técnico. Segundo, a vinda deles aqui para São José do Rio Preto, foi ótima para esse aprimoramento. Sei que se criou polêmica sobre isso, mas tenho a consciência da importância que foi para nós e não me arrependo de ter feito. Além do que, após esse fato, reparei que outras vezes em anos posteriores aconteceram fatos semelhantes, de botonistas jogarem para clubes de outros Estados e nem por isso foi criado polêmica em cima disso. Isso é profissionalismo! É o que falta para que possamos crescer.
Sou apaixonado por esse esporte e fiz, faço e farei o que puder para vê-lo em lugar de destaque. Meu recado a todos é que procurem trabalhar as crianças para o nosso futuro, senão vai chegar uma época em que estaremos jogando somente campeonato de “masters”.
Um recado aos mais jovens: nunca desistam de seus sonhos, pois sempre haverá uma oportunidade para concretizá-los.