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Quinta, Setembro 09, 2010

ENTREVISTA DE FEVEREIRO/2010: PAULO CÉSAR FARIA

Inaugurando a nossa seção de ENTREVISTAS, temos o prazer de conhecer um pouco mais de um dos maiores jogadores de futebol de mesa três toques em todos os tempos, nosso amigo, Dr. Paulo César Faria.

1. Faça uma breve apresentação a seu respeito. Onde e quando nasceu? Onde e quando iniciou no futebol de mesa? Como aconteceu seu início na modalidade de três toques? Quais os tipos de regra que você já praticou? Qual a maior satisfação que o futebol de mesa lhe proporcionou?

Sou carioca, 60 anos (1949). Joguei muito botão (leva-leva) durante a infância e adolescência até meus 15 anos. Parei. Voltei a jogar (agora futebol de mesa – 3 toques) a partir de 1983.

O início foi curioso porque vi um anúncio no jornal Correio Braziliense, convocando botonistas para um “Torneio Aberto de Futebol de Mesa”. Levei meus filhos Bruno e Rodrigo, à época com 8 e 7 anos e seus times de acetato da Brianezzi. Lá chegando tive a surpresa de ver mesas grandes e gente grande jogando. Ficamos decepcionados e fiquei de lado olhando. Sérgio Netto e Álvaro Sampaio se aproximaram e começamos a conversar. Eles me convenceram de jogar o Aberto, mesmo estando parado há tanto tempo e com os botões dos meus filhos. Logo após, houve um torneio, num sábado à tarde, na UDF. Fui lá para assistir e ... surpresa!!! Equipes uniformizadas, árbitros, campeonato bem organizado... era tudo o que me imaginava fazendo e nunca pude. Fui convidado a me unir a um grupo, aprender a regra e jogar. Iniciei na casa do Álvaro Azevedo e daí tudo começou.

Só joguei a regra 3 toques. Acho que as grandes motivações são a adrenalina da disputa e o grupo que é sensacional e nos mantém ativos por todos estes anos. Obviamente as conquistas ajudam a afagar o ego.

2. O que o levou a optar pelo futebol de mesa como modalidade esportiva, em detrimento de outro esporte?

Joguei futebol de campo até meus 54 anos. O futebol de mesa independe da idade e dos padrões físicos e como esporte de competição é fantástico.

3. O que representa o futebol de mesa para você? Quanto tempo de sua semana você dedica à prática do futebol de mesa? Sua família apóia você?

O futebol de mesa representa um prazer para mim. Sempre tive o apoio da esposa e dos filhos. Hoje em dia, mesmo no meio profissional (sou médico), muitos colegas e pacientes me perguntam sobre as competições e viagens.

4. Qual o nome de seu time e o que o levou a esta escolha?

Meu time é o AMIGOS. O nome foi escolhido para homenagear os colegas médicos que jogavam futebol comigo.

5. Quais os botonistas que, ao longo de sua carreira, mais o incentivaram?

Inicialmente o Paulo Nader (que era meu colega de turma e eu desconhecia que ele jogava futebol de mesa) me emprestou o primeiro time oficial. Álvaro Sampaio, Sérgio Motta e Walter Morgado foram os primeiros incentivadores e carrascos.

6. Quais mais o influenciaram e impressionaram?

Muitos me influenciaram e até hoje a gente ainda vai aprendendo. No DF, a técnica impecável do Walter e do Zé Ricardo, a pontaria do Jan, Caruso e Toninho. Enfim, o nosso jogo é tão dinâmico que vez por outra aparece uma nova jogada, uma arrumação de times diferente.

7. Quais mais o decepcionaram?

As únicas decepções são comigo mesmo quando perco um “gol feito” ou quando erro um lance simples.

8. Em sua opinião, qual o tipo de time ideal, bainha, altura, diâmetro etc.?

Sou muito eclético. Tenho muito times com tamanhos variados, assim como várias bainhas. Prefiro botões mais pesados, onde posso controlar melhor o toque na mesa e prefiro palhetas pequenas (4 cm).

9. O futebol de mesa não se resume apenas aos títulos e troféus conquistados. Quais foram as suas maiores alegrias na carreira? E as maiores tristezas ou decepções?

Os maiores títulos foram o Brasileiro de Seniors (três vezes), um vice-campeonato no Brasileiro Individual e o Bicampeonato Brasileiro Interclubes pelo Cota Mil.

As tristezas ficam quando não pude viajar e comparecer às competições.

10. Qual a sua partida que você chamaria de inesquecível?

A partida inesquecível não ocorreu: é o fato mais curioso da minha carreira botonística. Lá pelo final dos anos 80, fui a Cabo Frio passar férias e sabendo que o Mury morava lá pensei em bater uma partidinha com o lendário botonista. Combinei por telefone data e horário e nos encontramos numa casa recém-acabada, apenas com a mesa oficial na sala enorme. Colocamos nossos times na mesa e o Mury pediu que eu colocasse a minha bolinha para jogarmos. Disse que não tinha trazido as bolinhas e como ele tinha esquecido as dele no Rio não pudemos jogar. Ficamos boa parte da tarde batendo papo e relembrando coisas do futebol de mesa. Nunca mais voltei a vê-lo e não tive o prazer de jogar nenhuma partida com o Mury.

11. Qual a sua pior partida, aquela que você não gostaria de lembrar?

Às vezes nós fazemos partidas horrorosas e que nem sempre ficam na memória. Mas devido às gozações da turma as piores foram um 7 x 1 a favor do Luís Henrique “Li” num Brasileiro, e outro 7 x 1 num amistoso a favor do Roberto Pessoa.

12. Descreva um fato pitoresco presenciado por você acontecido no futebol de mesa, dentro ou fora da mesa.

O fato pitoresco ocorreu num Brasileiro em Belo Horizonte, quando resolvemos bater um futebol de salão numa quadra externa do Mineirinho e o Jan levou uma bolada no rosto, quebrando uma das lentes de seus óculos. No dia seguinte, ele constatou que estava com visão dupla por conta da diferença de grau dos olhos e a única solução foi improvisar um tapa-olhos com uma palheta opaca. Mesmo enxergando com um olho ele teve uma grande atuação.

13. Existe uma conscientização generalizada em favor do "fair-play" nas competições esportivas. O que tira você do sério numa competição de futebol de mesa?

De modo geral e a cada ano mais, o nível de respeito entre os competidores está aumentando, de modo que discussões são cada vez mais raras nos torneios.

14. Qual o clube de futebol de mesa mais organizado em que você já jogou?

Os dois clubes mais organizados que conheço são a AABB, em Brasília, e o Grêmio Mineiro, em Belo Horizonte. Possuem sedes próprias, mesas de bom nível e alojamento anexo, o que facilita muito nos deslocamentos. Além disso, são muito bem organizados em suas competições, rankings e mantém um grupo estável jogando junto por muitos anos.

15. Qual a competição mais organizada de que você tomou parte?

Nos últimos anos as competições têm sido bem elaboradas, com horários rígidos, regulamentos técnico e disciplinares rigorosos. Isto é bom para o esporte pois premia os mais organizados e torna as competições mais sérias.

16. Quais são as maiores qualidades e os defeitos da regra de três toques?

As grandes qualidades são a bola redonda, regras parecidas com o futebol de verdade. O maior defeito é o grande número de exceções. Sou partidário do 2 para 3 o tempo todo, o que para mim facilitaria muito para o iniciante se adaptar mais rápido com o jogo. Outro fator do número excessivo de artigos e subitens é que até hoje mesmo entre os antigos ainda há divergência na interpretação de determinados lances.

17. Que sugestões você daria para a nossa regra ficar ainda melhor?

Simplificar mais a regra. Manter viva a Comissão de Regras com poderes de analisar e modificar de tempos em tempos o que pudesse melhorar. Nem sempre o jeito que eu gosto é o melhor. Devemos pensar mais no coletivo e menos no nosso grupinho.

18. Em sua opinião, qual o maior problema enfrentado pela CBFM 3 toques no momento?

O maior problema é a falta de sedes permanentes nas cidades praticantes. Vemos cidades com excelentes botonistas que param ou tem que jogar em outras cidades por falta de uma estrutura local. Acho também que 16 mesas é um número muito alto que dificulta a realização de competições. Poderíamos repensar isto.

19. Que sugestões você daria para que o nosso movimento torne-se mais atrativo buscando novo adeptos?

O mais importante é simplificar a regra para atrair mais simpatizantes.

20. Como você vê o atual momento do futebol de mesa brasiliense? Quais suas sugestões e expectativas em relação ao movimento no DF?

Brasília está numa fase excelente. Temos uma ótima sede, facilidades para realizar competições nacionais com alojamento próprio, calendário anual bem estruturado com torneios variados. A grande dificuldade ainda é o acesso ao clube o que tentamos solucionar com convites àqueles que desejam conhecer e se entrosar conosco. Espero que o pessoal do Gama e da Cidade Ocidental possa se entrosar mais conosco e que não parem de jogar.

21. Atualmente você ocupa cargo de direção em algum clube, associação, federação ou confederação?

Sou o representante do futebol de mesa junto a Diretoria da AABB. Recentemente, participei da Comissão de Regras. Independente disso, não perco a oportunidade de dar pitaco nas coisas do futebol de mesa do DF. Estou sempre pronto para ajudar independente de cargos.

22. Quais são seus projetos para o futuro no nosso movimento?

Tendo em vista que o aluguel de espaços fica vez mais oneroso, acho que a solução são as entidades (clubes, associações etc) já estruturadas e procurarmos dentro da legislação esportiva espaço para que a Confederação Brasileira possa obter verbas para facilitar o deslocamento dos atletas, ajuda àquelas cidades com potencial para implementar o esporte em nível nacional, incentivar os fabricantes de material a se manterem na ativa etc.

23. É comum em nossas conversas surgirem listas dos dez mais, o "TOP TEN". Em sua opinião:

- Quais os dez melhores técnicos da nossa regra?

Seria uma eterna injustiça citar os 10 melhores. De modo geral os números já dizem por si. Prefiro fazer uma homenagem àqueles com quem tive o privilégio de jogar (e aprender) e que não estão mais no movimento, quer por falecimento ou simples afastamento: Paulo Nader, Walter Morgado, José Carlos Libório, Lourival Couto, Sérgio Castilho, Brasil, Copacabana, Renato e Álvaro Sampaio. Felizmente o Márcio voltou a jogar e pode sair dessa lista.

- Quais os melhores dirigentes do futebol de mesa com que você já trabalhou?

No DF o Zé Ricardo e o Motta são impecáveis na organização. Gostei muito da atuação do Stumpf pela presença e pelo rigor implantados. Desejo ao Adolpho muito sucesso. Sei da sua grande disposição e das ótimas idéias para aprimorar nosso esporte.

- Quais os dez melhores árbitros do futebol de mesa?

Gosto muito das arbitragens do Zé Ricardo, Motta e Toninho, além do Benjamin, Pires e Stumpf. Para mim o que os diferencia é o grande conhecimento das regras.

Menção honrosa especial ao Roberto Rodrigues, Márcio Lopes e ao Serginho Castilho, nossos fabricantes, e a todos os outros que pelo Brasil constroem nossos atletas de acrílico.

24. Um sonho que você ainda não realizou no futebol de mesa?

Meus sonhos foram realizados. A paixão infantil tornou-se um esporte que amo e ajudo a crescer. Construí grandes e sólidas amizades aqui no DF e nos outros estados. Meu desejo no futuro é continuar a jogar e ver o movimento crescer.

25. Finalizando, deixe o seu recado ou impressões sobre o tema que preferir.

Fico muito feliz de ver Flamengo, Bangu, Botafogo, Vasco da Gama, AABB, América-SJRP, Tupi, isto é, clubes de expressão nacional se interessarem pelo futebol de mesa. Isto dá maior visibilidade e credibilidade para o esporte na mídia e atrai praticantes e torcedores.

A todos um abraço do PC.

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