01: Faça uma breve apresentação a seu respeito. Onde e quando nasceu? Onde e
quando iniciou no futebol de mesa? Como aconteceu seu início na modalidade de
três toques? Qual a maior satisfação que o futebol de mesa lhe proporcionou?
Tenho 34 anos, sou professor de
informática para concursos públicos Estaduais e Federais, casado e tenho dois
filhos lindos a Mariana (5 anos) e o Gustavo (7 meses). Nasci em Juiz de Fora,
comecei a jogar com 5anos com meus tios e primos utilizando botões caseiros e
os da estrela. Com 12 anos conheci Janilson e o João
Eduardo (morávamos no mesmo bairro), aos 14 anos comecei a acompanhá-los nas
tardes de sábado e freqüentar a sala do Tupi.
02: O que o levou a optar pelo futebol de mesa como
modalidade esportiva, em detrimento de outro esporte?
Naquela época também jogava futebol de salão e o
futebol de mesa era apenas mais uma diversão, com o tempo meu circulo de
amizades começou se fortalecer com as atividades relacionadas ao botão, e é
claro que o futebol de salão não perdeu grande coisa.
03: Quais os tipos de regras que você já praticou, antes de
conhecer a regra de três toques?
No início era o chamado leva-leva com pastilha, depois o dadinho, recentemente joguei uma partida de 12 toques,
mas é muuuuuito chato.
04: O que representa o futebol de mesa para você? Quanto
tempo de sua semana você dedica à prática do futebol de mesa? Sua família apóia
você?
Futebol de mesa é meu esporte, é
o momento em que esqueço um pouco da rotina estressante do meu trabalho. Minha
dedicação infelizmente hoje não passa de uma ou duas vezes por mês em virtude
do meu trabalho,ainda bem que tenho total apoio da
minha esposa Tathiana.
05: Qual o comportamento ideal do botonista?
Falar do comportamento ideal não
é difícil, ou seja, honestidade sempre. Vou fazer melhor citando dois exemplos
a serem seguidos neste aspecto, o Evandro da ACFB e o Paulo Sérgio do Liberdade.
06: Quais são as maiores qualidades e os defeitos da regra
de três toques?
Nossa regra é quase perfeita, pois estratégia e
habilidade caminham juntas, isto possibilita que um jogador não tão habilidoso
consiga taticamente anular outro com mais recursos. O maior defeito é que nossos campeonatos são
muito cansativos, o que acaba afastando muitos iniciantes.
07: Quais os botonistas que, ao longo de sua carreira, mais
o incentivaram?
Sem dúvida nenhuma o
José Henrique e
é claro
Sibéluis, Renato e Marcus.
08: Quais mais o influenciaram e impressionaram?
O Renato foi o jogador mais completo que já
conheci, fazia jogadas que até hoje não vi “ninguém” repetir. Mas ele não me influenciou, pois não dá para copiar o Pelé ou
Maradona. Quanto às influencias eu
aprendi muito observando o controle emocional do Carlos Antonio do Manchester
(o mundo podia cair e a sua fisionomia não mudava, a sua eficiência era
admirável), o domínio do Vander e do Sibélius (é difícil tirar a bola deles) o
estilo clássico do José Ricardo de Brasília (sempre acha o caminho mais seguro para
uma jogada), e mais recentemente tenho tentado ser mais ofensivo (me chamam de
retranqueiro) e o Marcus é minha melhor referencia (sabe “empurrar” os botões
dos outros como ninguém).
09: O futebol de mesa não se resume apenas aos títulos e
troféus conquistados. Quais foram as suas maiores alegrias na carreira? E as
maiores tristezas ou decepções?
Quanto às alegrias foram muitas,
aprontei muito com o Sibélius e o Marcus em nossas viagens, recentemente
conviver com o Jarrão (meu desembargador vitalício) também me trouxe muita
satisfação e alegria (tem um grande coração e uma sinceridade impecável). Quanto às tristezas destaco o falecimento
precoce do
José Henrique,
ele era a nossa referencia e de certa forma nos tratava como filhos, ele não
jogava mas foi fundamental em nossas conquistas.
10: Qual a sua partida que você chamaria de inesquecível?
A Final do brasileiro individual em 1995 em que
ganhei do Bruno no último chute, sendo que a vantagem do empate era dele. Mas perdi para o mesmo Bruno (o que mais se
aproximou do Renato) na final do brasileiro em 2008, o danado me deu o troco,
mas não tem nada não, te pego na próxima...
11: Qual a sua pior partida, aquela que você não gostaria de
lembrar?
Uma vez perdi para o Miguel (um
grande jogador) de 8x0, eu já tinha esquecido, mas está pergunta
me fez lembrar (abraços Miguel).
12: Descreva um fato
pitoresco acontecido no futebol de mesa, dentro ou fora da mesa.
Estava apitando um jogo entre
dois jogadores do Rio em um brasileiro, um deles entra em uma bola bem difícil
dentro da área, não tive dúvida:
É pênalti!!!!!
Em seguida coloquei a bola na
marca do pênalti...
O outro jogador começou a
reclamar e imediatamente dei falta técnica...
A reclamação continuou e como
“excelente” arbitro que sou dei mais duas técnicas... Então expulsei um botão e
ameacei acabar com o jogo....
Aí então passa uma alma caridosa
e sussurra no meu ouvido...
Paulo Marcos o moço que fez a
falta estava no campo de ataque.....
Se tivesse um buraco no chão
juro que entraria nele.
13: Qual o tipo de time ideal na sua
opinião ? Bainha, altura, diâmetro etc.
Gosto necessariamente de times
mais leves e baixos, altura de
4 mm
,
6 cm
de diâmetro e bainhas de
acordo com o posicionamento em campo.
14: Existe uma conscientização
generalizada em favor do "fair-play" nas competições esportivas.
Apesar dos "quilômetros rodados", o que tira você do sério numa
competição de futebol de mesa?
Eu normalmente sou muito concentrado e calmo para
jogar, mas o adversário que pressiona um árbitro iniciante e inexperiente além
de mal intencionado está dando um tiro no pé, pois isto só afasta as pessoas e
enfraquece o nosso movimento.
15: O que você acha do atual cenário do futebol de mesa
em Juiz de Fora e conte-nos sobre as expectativas de retornar ao Tupi e jogar
com novos companheiros
Juiz de Fora saiu fortalecida com a junção do Winter e da Portuguesa, confesso que em
um primeiro momento achei que seria difícil, pois tínhamos uma
rivalidade muito grande. Entretanto o convívio com Stumpf, Luiz Henrique e Romualdo
tem sido o melhor possível, uma equipe que não é afinada não obtém resultados,
e já na primeira competição (o brasileiro de equipes 2008) vencemos e nos
divertimos bastante. Estamos esperando o retorno do amigo Thiago, que se casou recentemente.
Lamentável apenas o fim das atividades no Sport.
16: Em sua opinião, qual o maior problema enfrentado pela CBFM 3 toques no momento?
O Stumpf é sem dúvida o dirigente mais organizado
que já vi (o
José
Henrique era
o mais apaixonado), melhoramos muito durante a
sua gestão, entretanto falta dinheiro para que projetos mais ambiciosos sejam
colocados em prática.
“A propaganda não pode ser
limitada a divulgação dos resultados em jornais após um brasileiro, precisamos
aparecer para crescer, e isto custa caro”.
17: Que sugestões você daria para que o nosso movimento cresça ainda mais?
Precisamos apoiar o trabalho da
gestão atual, e necessariamente ouvir pessoas inteligentes e com atitude como
Paulo Sérgio, Antonio Ornelas, Marcus, Pires, Benjamin e José Ricardo que agora
está mais presente. Quanto mais organizados estivermos, mais rápido o investimento
público ou privado vai aparecer.
18. Quais são seus projetos para o futuro no nosso movimento?
Fazer com que o Tupi não acabe novamente, pois o
seu fortalecimento em Juiz de Fora é fundamental para o futuro do movimento
em Minas Gerais
e
conseqüentemente no Brasil.
19: Um sonho que você ainda não realizou no futebol de mesa.
Veja bem, já ganhei 6 brasileiros de equipe, 1 brasileiro individual, juizforanos individuais e
equipes, vários mineiros de equipe, recentemente cheguei a final da Copa do
Brasil e do brasileiro individual . Mas a pedra no meu sapato e sem dúvida o
campeonato mineiro individual, gostaria muito de conseguir este título,
entretanto é o campeonato estadual mais difícil do país, pois Lorival, Marcus,
Stumpf, Vander, Paulo Sérgio, Luiz Henrique, Thiago, Flavio Scarpelli, Terô,
Benjamin entre outros complicam a vida de qualquer um.
20: É comum em nossas conversas surgirem listas dos cinco mais, os "TOP FIVE". Na sua opinião:
Quais os cinco melhores técnicos da nossa regra?
Sempre acreditei que o futebol
de mesa depende muito do momento, então esta lista pode ser relativa, mas sem
dúvida Bruno, Marcus, Stumpf, Vander e Lorival são extremamente eficientes. Agora não
posso deixar de citar Miguel, Evandro, Dudu, José Ricardo e Thiago.
Quais os cinco melhores dirigentes do futebol de mesa com que você já
trabalhou?
José
Henrique,
Paulo Sérgio,
Stumpf, Thiago e José Luiz.
Quais os cinco melhores botonistas com quem já teve
oportunidade de atuar em equipe?
Não vou entrar muito no aspecto
técnico, mas a equipe que participei por vários anos com Renato, Sibélius e
Marcus era muito equilibrada, e formada necessariamente por amigos (não
precisávamos falar, bastava olhar que já sabíamos o que deveria ser feito em
uma partida complicada, vencemos muitos campeonatos na base do um ganha e os outros empatam). Mas sem dúvida jogar com
Bruno, Thiago, Paulo Sérgio e Flavio Scarpelle foi sensacional.
Quais os cinco melhores árbitros do futebol de mesa?
Miguel, Pires, José Ricardo, Paulo Cezar e
Benjamin, mas vou completar esta pergunta.
Quais os cinco piores árbitros respectivamente?
Lorival (este merece um estudo
profundo), Bruno, Paulo Marcos, Marcus e Flavio Pires (abraços meu amigo
Flávio).
21: Finalizando, deixe o seu recado ou impressões sobre o
tema que preferir.
Que as diferenças pessoais não
interfiram no movimento, gostaria muito de ver Grêmio, Liberdade e Tupi afinados fora da mesa em prol do crescimento do esporte
em Minas Gerais
,
mas claro dentro da mesa vamos bater de frente com o sempre, a graça está aí.
Abraços
Paulo Marcos