ENTREVISTA  

 

ENTREVISTA COM O BOTONISTA PAULO MARCOS DE FRANÇA

 
28 de Julho de 2008 — Juiz de Fora / MG
 
 

 

 

 


01: Faça uma breve apresentação a seu respeito. Onde e quando nasceu? Onde e quando iniciou no futebol de mesa? Como aconteceu seu início na modalidade de três toques? Qual a maior satisfação que o futebol de mesa lhe proporcionou?

Tenho 34 anos, sou professor de informática para concursos públicos Estaduais e Federais, casado e tenho dois filhos lindos a Mariana (5 anos)  e o Gustavo (7 meses). Nasci em Juiz de Fora, comecei a jogar com 5anos com meus tios e primos utilizando botões caseiros e os da estrela. Com 12 anos conheci Janilson e o João Eduardo (morávamos no mesmo bairro), aos 14 anos comecei a acompanhá-los nas tardes de sábado e freqüentar a sala do Tupi.

 

02: O que o levou a optar pelo futebol de mesa como modalidade esportiva, em detrimento de outro esporte?
Naquela época também jogava futebol de salão e o futebol de mesa era apenas mais uma diversão, com o tempo meu circulo de amizades começou se fortalecer com as atividades relacionadas ao botão, e é claro que o futebol de salão não perdeu grande coisa.

 

03: Quais os tipos de regras que você já praticou, antes de conhecer a regra de três toques?
No início era o chamado leva-leva com pastilha, depois o dadinho, recentemente joguei uma partida de 12 toques, mas é muuuuuito chato.

 

04: O que representa o futebol de mesa para você? Quanto tempo de sua semana você dedica à prática do futebol de mesa? Sua família apóia você?

Futebol de mesa é meu esporte, é o momento em que esqueço um pouco da rotina estressante do meu trabalho. Minha dedicação infelizmente hoje não passa de uma ou duas vezes por mês em virtude do meu trabalho,ainda bem que tenho total apoio da minha esposa Tathiana.

 

05: Qual o comportamento ideal do botonista?

Falar do comportamento ideal não é difícil, ou seja, honestidade sempre. Vou fazer melhor citando dois exemplos a serem seguidos neste aspecto, o Evandro da ACFB e o Paulo Sérgio do Liberdade.    

 

06: Quais são as maiores qualidades e os defeitos da regra de três toques?
Nossa regra é quase perfeita, pois estratégia e habilidade caminham juntas, isto possibilita que um jogador não tão habilidoso consiga taticamente anular outro com mais recursos.  O maior defeito é que nossos campeonatos são muito cansativos, o que acaba afastando muitos iniciantes.

 

07: Quais os botonistas que, ao longo de sua carreira, mais o incentivaram?
Sem dúvida nenhuma o José Henrique e é claro Sibéluis, Renato e Marcus.

08: Quais mais o influenciaram e impressionaram?
O Renato foi o jogador mais completo que já conheci, fazia jogadas que até hoje não vi “ninguém” repetir. Mas ele não me influenciou, pois não dá para copiar o Pelé ou Maradona.  Quanto às influencias eu aprendi muito observando o controle emocional do Carlos Antonio do Manchester (o mundo podia cair e a sua fisionomia não mudava, a sua eficiência era admirável), o domínio do Vander e do Sibélius (é difícil tirar a bola deles) o estilo clássico do José Ricardo de Brasília (sempre acha o caminho mais seguro para uma jogada), e mais recentemente tenho tentado ser mais ofensivo (me chamam de retranqueiro) e o Marcus é minha melhor referencia (sabe “empurrar” os botões dos outros como ninguém).  

 

09: O futebol de mesa não se resume apenas aos títulos e troféus conquistados. Quais foram as suas maiores alegrias na carreira? E as maiores tristezas ou decepções?

Quanto às alegrias foram muitas, aprontei muito com o Sibélius e o Marcus em nossas viagens, recentemente conviver com o Jarrão (meu desembargador vitalício) também me trouxe muita satisfação e alegria (tem um grande coração e uma sinceridade impecável).  Quanto às tristezas destaco o falecimento precoce do José Henrique, ele era a nossa referencia e de certa forma nos tratava como filhos, ele não jogava mas foi fundamental em nossas conquistas.

 

10: Qual a sua partida que você chamaria de inesquecível?
A Final do brasileiro individual em 1995 em que ganhei do Bruno no último chute, sendo que a vantagem do empate era dele. Mas perdi para o mesmo Bruno (o que mais se aproximou do Renato) na final do brasileiro em 2008, o danado me deu o troco, mas não tem nada não, te pego na próxima...

 

11: Qual a sua pior partida, aquela que você não gostaria de lembrar?

Uma vez perdi para o Miguel (um grande jogador) de 8x0, eu já tinha esquecido, mas está pergunta me fez lembrar (abraços Miguel).

 

 12: Descreva um fato pitoresco acontecido no futebol de mesa, dentro ou fora da mesa.

Estava apitando um jogo entre dois jogadores do Rio em um brasileiro, um deles entra em uma bola bem difícil dentro da área, não tive dúvida:

É pênalti!!!!!

Em seguida coloquei a bola na marca do pênalti...

O outro jogador começou a reclamar e imediatamente dei falta técnica...

A reclamação continuou e como “excelente” arbitro que sou dei mais duas técnicas... Então expulsei um botão e ameacei acabar com o jogo....

Aí então passa uma alma caridosa e sussurra no meu ouvido...

Paulo Marcos o moço que fez a falta estava no campo de ataque.....

Se tivesse um buraco no chão juro que entraria nele.

  

13: Qual o tipo de time ideal na sua opinião ? Bainha, altura, diâmetro etc.

Gosto necessariamente de times mais leves e baixos, altura de 4 mm , 6 cm de diâmetro e bainhas de acordo com o posicionamento em campo.

14: Existe uma conscientização generalizada em favor do "fair-play" nas competições esportivas. Apesar dos "quilômetros rodados", o que tira você do sério numa competição de futebol de mesa?
Eu normalmente sou muito concentrado e calmo para jogar, mas o adversário que pressiona um árbitro iniciante e inexperiente além de mal intencionado está dando um tiro no pé, pois isto só afasta as pessoas e enfraquece o nosso movimento.  

15: O que você acha do atual cenário do futebol de mesa em Juiz de Fora e conte-nos sobre as expectativas de retornar ao Tupi e jogar com novos companheiros

Juiz de Fora saiu fortalecida com a junção do Winter e da Portuguesa, confesso que em um primeiro momento achei que seria difícil, pois tínhamos uma rivalidade muito grande. Entretanto o convívio com Stumpf, Luiz Henrique e Romualdo tem sido o melhor possível, uma equipe que não é afinada não obtém resultados, e já na primeira competição (o brasileiro de equipes 2008) vencemos e nos divertimos bastante. Estamos esperando o retorno do amigo Thiago, que se casou recentemente. Lamentável apenas o fim das atividades no Sport.


16: Em sua opinião, qual o maior problema enfrentado pela CBFM 3 toques no momento?
O Stumpf é sem dúvida o dirigente mais organizado que já vi (o José Henrique era o mais apaixonado), melhoramos muito durante a sua gestão, entretanto falta dinheiro para que projetos mais ambiciosos sejam colocados em prática.

“A propaganda não pode ser limitada a divulgação dos resultados em jornais após um brasileiro, precisamos aparecer para crescer, e isto custa caro”.


17: Que sugestões você daria para que o nosso movimento cresça ainda mais?

Precisamos apoiar o trabalho da gestão atual, e necessariamente ouvir pessoas inteligentes e com atitude como Paulo Sérgio, Antonio Ornelas, Marcus, Pires, Benjamin e José Ricardo que agora está mais presente. Quanto mais organizados estivermos, mais rápido o investimento público ou privado vai aparecer.


18. Quais são seus projetos para o futuro no nosso movimento?
Fazer com que o Tupi não acabe novamente, pois o seu fortalecimento em Juiz de Fora é fundamental para o futuro do movimento em Minas Gerais e conseqüentemente no Brasil.  

 

19: Um sonho que você ainda não realizou no futebol de mesa.
Veja bem, já ganhei 6 brasileiros de equipe, 1 brasileiro individual, juizforanos individuais e equipes, vários mineiros de equipe, recentemente cheguei a final da Copa do Brasil e do brasileiro individual . Mas a pedra no meu sapato e sem dúvida o campeonato mineiro individual, gostaria muito de conseguir este título, entretanto é o campeonato estadual mais difícil do país, pois Lorival, Marcus, Stumpf, Vander, Paulo Sérgio, Luiz Henrique, Thiago, Flavio Scarpelli, Terô, Benjamin entre outros complicam a vida de qualquer um.


20: É comum em nossas conversas surgirem listas dos cinco mais, os "TOP FIVE". Na sua opinião:


Quais os cinco melhores técnicos da nossa regra?

Sempre acreditei que o futebol de mesa depende muito do momento, então esta lista pode ser relativa, mas sem dúvida Bruno, Marcus, Stumpf, Vander e Lorival  são extremamente eficientes. Agora não posso deixar de citar Miguel, Evandro, Dudu, José Ricardo e Thiago.


Quais os cinco melhores dirigentes do futebol de mesa com que você já trabalhou?
José Henrique, Paulo Sérgio, Stumpf, Thiago e José Luiz.

 

Quais os cinco melhores botonistas com quem já teve oportunidade de atuar em equipe?

Não vou entrar muito no aspecto técnico, mas a equipe que participei por vários anos com Renato, Sibélius e Marcus era muito equilibrada, e formada necessariamente por amigos (não precisávamos falar, bastava olhar que já sabíamos o que deveria ser feito em uma partida complicada, vencemos muitos campeonatos na base do um ganha e os outros empatam). Mas sem dúvida jogar com Bruno, Thiago, Paulo Sérgio e Flavio Scarpelle foi sensacional.

 

Quais os cinco melhores árbitros do futebol de mesa?
Miguel, Pires, José Ricardo, Paulo Cezar e Benjamin, mas vou completar esta pergunta.

 

Quais os cinco piores árbitros respectivamente?

Lorival (este merece um estudo profundo), Bruno, Paulo Marcos, Marcus e Flavio Pires (abraços meu amigo Flávio).

 

21: Finalizando, deixe o seu recado ou impressões sobre o tema que preferir.

Que as diferenças pessoais não interfiram no movimento, gostaria muito de ver Grêmio, Liberdade e Tupi afinados fora da mesa em prol do crescimento do esporte em Minas Gerais , mas claro dentro da mesa vamos bater de frente com o sempre, a graça está aí.

 

Abraços

 

Paulo Marcos