ENTREVISTA  

 

ENTREVISTA COM PAULO SÉRGIO MARTINS CARDOSO, ATLETA DO LIBERDADE FUTEBOL DE MESA

 
18 de Dezembro de 2007 — Juiz de Fora / MG
 
 

 01: Faça uma breve apresentação a seu respeito. Onde e quando nasceu? Onde e quando iniciou no futebol de mesa? Como aconteceu seu início na modalidade de três toques? Qual a maior satisfação que o futebol de mesa lhe proporcionou?

Nasci no dia 10/fev/1966, em Belo Horizonte/MG. Desde que me entendo por gente jogo futebol de mesa, sempre foi o meu lazer. Conheci  a modalidade 3 toques numa reportagem de jornal quando estava jogando em casa com meus primos. Lemos a reportagem e fomos direto para o local. Era no bar vice-versa, berço do Grêmio Mineiro, com o tempo meus primos abandonaram o futebol de mesa e só eu continuei. A grande satisfação que o futebol de mesa me proporcionou foi ter o prazer da companhia do meu filho, Pedro, no meu principal lazer.

 

02: O que o levou a optar pelo futebol de mesa como modalidade esportiva, em detrimento de outro esporte?

Com certeza foi a paixão de pelo futebol e a tremenda inabilidade para as outras modalidades do futebol.

 

 03: Quais os tipos de regras que você já praticou, antes de conhecer a regra de três toques?

Antes da regra dos três toques só jogava no tradicional “leva-leva”.

 

04: O que representa o futebol de mesa para você? Quanto tempo de sua semana você dedica à prática do futebol de mesa? Sua família apóia você?

É o meu principal lazer. Atualmente jogo uma vez por semana (terça à noite) no Liberdade.  Minha família sempre me apoiou e continua apoiando.

 

 05: Qual o comportamento ideal do botonista?

Penso que o comportamento ideal de um botonista é a “ética”. Se ele tiver ética, a boa-educação, o respeito ao adversário, a esportividade serão conseqüências de suas atitudes.

 

06: Quais são as maiores qualidades e os defeitos da regra de três toques?

A grande virtude da regra dos três toques é que além das mãos, você precisa utilizar muito o cérebro para praticá-la. Ironicamente, o excesso da utilização do cérebro acaba prejudicando a nossa regra pois como a compreensão dela é muito lenta isso acaba afastando novos adeptos.

 

07: Quais os botonistas que, ao longo de sua carreira, mais o incentivaram?

O meu maior incentivador foi o Rubens Abuliack, meu primeiro parceiro de torneios em equipes. Outros botonistas também me incentivaram muito: Benjamin Abaliac, Sérgio Burnier, Josué de Castro. Hoje meus grandes incentivadores são o Lorival Ribeiro e o Eduardo Guerra.

 

08: Quais mais o influenciaram e impressionaram?

Os botonistas que mais me influenciaram foram o Benajmin Abaliac e o Sérgio Burnier. Os que mais me impressionaram foram, quando o bloqueio era permitido, o Ronald e o Edson Meinel e na regra atual, o Bruno de Castro de volume do jogo e o Lorival pela objetividade.

 

09: O futebol de mesa não se resume apenas aos títulos e troféus conquistados. Quais foram as suas maiores alegrias na carreira? E as maiores tristezas ou decepções?

As maiores alegrias são as amizades que você conquista. Hoje tenho amigos que são muito valiosos. Em termos de campeonatos, o Brasileiro Interclubes de 2006 conquistado pelo VASCO foi sem dúvida alguma a grande alegria que tive na minha carreira. Conquistar um título pelo Clube do meu coração foi uma emoção “impagável”.  Já o Brasileiro Interclubes de 1999 talvez tenha sido a minha grande tristeza já que estávamos muito bem preparados para buscar mais um título que acabou não acontecendo ao perdermos a final para o Satélite (RJ).

 

10: Qual a sua partida que você chamaria de inesquecível?

O jogo decisivo do Brasileiro Interclubes de 2006 que culminou na conquista do titulo pelo VASCO, meu clube do coração. Como o campeonato foi em turno corrido, na antepenúltima rodada o VASCO e o Grêmio Mineiro fizeram o jogo que poderíamos definir como a “decisão” do campeonato pois, pelos jogos que faltavam, quem vencesse fatalmente seria campeão. E o meu adversário foi justamente o maior botonista que meus olhos viram jogar, Lorival Ribeiro. Como o empate era um bom resultado para a nossa equipe, decidimos que o meu jogo seria para empatar com o Lorival. Em menos de cinco minutos o Lorival já estava me vencendo por 2x0, achei que iria tomar uma sonora goleada pois o primeiro tempo foi um verdadeiro massacre onde no meu time só o goleiro “Barbosa” jogava porém, no finalzinho eu simplesmente “achei” um gol no único chute que dei. Com isso para o segundo tempo mantivemos a mesma “tática”, ou seja não deveria me expor pois, de repente poderia achar um gol e empatar a partida. E foi justamente isso que aconteceu, o Lorival não conseguiu dilatar o placar e me mantive vivo na partida tranqüilizando meus companheiros. Com os resultados das outras três partidas finalizados, o jogo das equipes estava empatado em 1x1, o que já era ótimo para nós.  Só sobrou o meu jogo para definir o placar final e nos acréscimos o Lorival foi bater um lateral cavado na sua defesa rolando a bola para a linha de fundo visando manter a posse dela só que acabou cedendo o corner. Bati o corner, dei um passe difícil e sobrou um “meio-prego”. Pedi a gol e acabei fazendo um golaço empatando o meu jogo, dando a vitória ao VASCO por 1x0 e praticamente selando a nossa conquista. Fato que ocorreu na rodada seguinte. Foi uma partida sensacional e inesquecível, tanto a individual quanto a de equipes.

 

 

11: Qual a sua pior partida, aquela que você não gostaria de lembrar?

Foram tantas horríveis que já nem consigo lembrar da pior.

 

12: Descreva um fato pitoresco acontecido no futebol de mesa, dentro ou fora da mesa.

Foram dois logo no inicio da minha carreira, no Grêmio Mineiro. Fazíamos as rodadas dentro de um bar que ficava fechado a tarde. Um botonista chamado Galba fez um gol e saiu atravessando o salão gritando, de repente escutamos uma freada de um carro, corremos para ver e lá estava o Galba com o carro bem em cima dele e o motorista xingando ele de tudo quanto é nome. Quase morreu atropelado “jogando botão”!!!!!  Outro fato engraçado foi com um botonista que só tomava goleadas e num torneio, o placar mínimo que ele havia perdido foi de 8x0 (todo mundo queria fazer saldo de gol nele). Neste torneio ele estava jogando e perdendo de 3x0 até que o juiz apitou uma falta contra ele e ele resolver tirar o time de campo alegando que o juiz estava “roubando” ele. Foi aí que o adversário chegou perto dele e disse: “Fulano não faz isso comigo não!!!!!”.

 

13: Qual o tipo de time ideal na sua opinião? Bainha, altura, diâmetro etc.

Na realidade, não existe time ideal, o que existe é a “mão ideal” e, elas devem ter o formato das mãos do Bruno, Lorival, Stumpf, Marcus, Thiago Stefan.

 

14: Existe uma conscientização generalizada em favor do "fair-play" nas competições esportivas. Apesar dos "quilômetros rodados", o que tira você do sério numa competição de futebol de mesa?

O que me tira do sério são as pessoas que ficam pregando “moralismo” no nosso movimento e só fazem lambança. Acham que só eles é que são vítimas. Vamos crescer um pouquinho pessoal!!!!

 

15: No seu mandato na CBFM, conte-nos quais foram as suas grandes realizações e o que você queria fazer mas infelizmente por algum motivo não conseguiu e quais foram as suas grandes dificuldades durante o seu mandato.

Penso que o mandato Thiago-Guto-Paulo Sérgio resgatou a “organização” no nosso movimento. Reativamos o REFIL, fato que já vem sendo adotado pelas outras modalidades (que diria que a nossa regra iria servir de exemplo!!). Conseguimos refilar mais de 200 botonistas e incorporar novos centros no nosso movimento. Criamos também o regulamento padrão para as competições, criamos a Copa do Brasil (competição nacional que é jogada num sábado e domingo) competição esta que muitos falavam não iria vingar por ser fora de feriado. Vingou porque todas foram bem organizadas e se tem organização tem participante. Uma das metas que não atingimos foi a criação do Caderno de Encargos para as cidades que quisessem promover competições. Penso que foi uma boa gestão pois a gestão atual praticamente deu seqüência e melhorou tudo o que criamos.

 

16: Na sua opinião, qual o maior problema enfrentado pela CBFM 3 toques no momento?

O grande problema da nossa regra é que pouquíssimas pessoas querem trabalhar e a grande maioria só quer saber de colocar o time na mesa e ficar reclamando que o movimento é desorganizado ou que a nossa regra é complicada. A nossa regra não é complicada. Complicadas e individualistas são as pessoas que jogam na nossa regra.

 

17: Que sugestões você daria para que o nosso movimento volte a crescer?

TRABALHO e PREDISPOSIÇÃO de todos em colaborar. Não adianta poucos trabalharem e muitos não fazerem absolutamente nada. Precisamos que as pessoas também assumam a organização das Federações e façam elas crescerem. Se a Confederação for organizada, o movimento não vai morrer porém, não vai crescer. O que fará com que o nosso movimento volte a crescer é promover o renascimento das Federações que tem basicamente quatro obrigações: 1) Estarem com a documentação regularizada para terem acesso às verbas públicas, 2) Organizar competições, 3) Promover a criação de novos Clubes 4) Integrar esses Clubes ao movimento . É importante lembrar que os governos federal e estaduais disponibilizam verbas para as modalidades esportivas (o futebol de mesa é reconhecido como esporte) se desenvolverem porém, é necessário que a Confederação e as Federações estejam totalmente enquadradas nas leis vigentes. Quem vai fazer isso tudo 4 ou 5 pessoas???

 

18. Quais são seus projetos para o futuro no nosso movimento?

Tenho dois projetos: O primeiro é consolidar o Liberdade como um Clube e não apenas como um grupo de pessoas amigas que se reúnem para jogar estaduais e brasileiros. Temos muito trabalho pois em cidade grande não é fácil conseguir apoio financeiro e espaço físico para isso. O outro projeto é ajudar a criar e manter regularizada a nova Federação Mineira para buscarmos apoio financeiro de órgãos públicos.

 

19: Um sonho que você ainda não realizou no futebol de mesa.

Depois de já realizar o sonho de ser campeão pelo VASCO, meu novo e grande sonho no futebol de mesa é disputar o título de um brasileiro interclubes na mesma equipe do meu filho, Pedro.

 

20: É comum em nossas conversas surgirem listas dos cinco mais, os "TOP FIVE". Na sua opinião:
Quais os cinco melhores técnicos da nossa regra?

Vou dividir a nossa regra em duas “eras”: Na “era do bloqueio” cito o Ronald de São José dos Campos, o Edson Meinel do Rio de Janeiro, o José Ricardo de Brasília, Carlos Antonio e o Tavares, ambos de Juiz de Fora. Na “era atual” cito o Lorival Ribeiro de Belo Horizonte, o Bruno de Castro do Rio de Janeiro, o Leonardo Stumpf, o Renato Baumgratz e o Marcus, os três de Juiz de Fora

 

21: Quais os cinco melhores dirigentes do futebol de mesa com que você já trabalhou?

Alguns eu não trabalhei junto, porém fizeram um trabalho tão bom que colhemos frutos até hoje. Vou citar seis: João Paulo Mury, Orlando Campos Junior, estes pela fase de implantação e consolidação da nossa regra no pais. Benjamin Abaliac e José Henrique Winter, estes consolidação e “supremacia” da nossa regra na sua cidade. Carlos Augusto Mendes Bittar e Leonardo Stumpf pelo esforço na tentativa de reerguer o nosso movimento.

 

22: Quais os cinco melhores botonistas com quem já teve oportunidade de atuar em equipe?

Não vou citar os cinco melhores, vou citar os cinco que mais gostei de jogar: Rubens Abuliack, Lorival Ribeiro, Benjamin Abaliac, Thiago Palhares e Eduardo Guerra.

 

23: Quais os cinco melhores árbitros do futebol de mesa?

Bruno de Castro, Thiago Stefan, Miguel Lemos, Evandro Gomes e José Ricardo Caldas e Almeida

 

 24: Belo Horizonte tinha um grande número de botonistas no Grêmio Mineiro. Quais os motivos que levaram à criação do Liberdade ? Por que muitos que estão no Liberdade hoje não optaram em continuar no Grêmio Mineiro ?

O principal motivo que levou a criação do Liberdade foi a necessidade de se jogar num horário diferente do sábado a tarde que é o horário de funcionamento do Grêmio Mineiro. Hoje jogamos no Liberdade às terças-feiras à noite. Penso que todos que estão hoje no Liberdade não voltaram para o Grêmio justamente pela opção do horário e também pela amizade que foi consolidada pela criação do novo Clube. Com certeza o Grêmio Mineiro continua sendo o segundo clube do coração de cada um do Liberdade. No meu caso o Grêmio é o terceiro pois em matéria de esporte o VASCO sempre estará em primeiríssimo lugar!!!!!

 

25: Finalizando, deixe o seu recado ou impressões sobre o tema que preferir.

Hoje o nosso movimento está discutindo alterações para a regras atuais. Volto a repetir que o nosso problema não é a regra, basta verificarem que todos os botonistas que jogam em outras regras e conhecem a nossa, definem a nossa como a melhor. Portanto, o nosso movimento deveria discutir “ATITUDE”. Cabe a cada um de nós refletir e verificar que tido de ação deveria tomar para efetivamente se tornar uma peça importante na revitalização do nosso movimento. Abraços a todos e obrigado à CBFM pelo convite da entrevista.