01:
Faça uma breve apresentação a seu respeito. Onde e quando nasceu? Onde e quando
iniciou no futebol de mesa? Como aconteceu seu início na modalidade de três
toques? Qual a maior satisfação que o futebol de mesa lhe proporcionou?
Nasci no dia 10/fev/1966, em Belo Horizonte/MG.
Desde que me entendo por gente jogo futebol de mesa, sempre foi o meu lazer.
Conheci a modalidade 3 toques numa reportagem de jornal quando estava jogando
em casa com meus primos. Lemos a reportagem e fomos direto para o local. Era no
bar vice-versa, berço do Grêmio Mineiro, com o tempo meus primos abandonaram o
futebol de mesa e só eu continuei. A grande satisfação que o futebol de mesa me
proporcionou foi ter o prazer da companhia do meu filho, Pedro, no meu principal
lazer.
02: O que o levou a optar
pelo futebol de mesa como modalidade esportiva, em detrimento de outro esporte?
Com certeza foi a paixão de
pelo futebol e a tremenda inabilidade para as outras modalidades do futebol.
03: Quais os tipos de
regras que você já praticou, antes de conhecer a regra de três toques?
Antes da regra dos três toques
só jogava no tradicional “leva-leva”.
04: O que representa o
futebol de mesa para você? Quanto tempo de sua semana você dedica à prática do
futebol de mesa? Sua família apóia você?
É o meu principal lazer.
Atualmente jogo uma vez por semana (terça à noite) no Liberdade. Minha família
sempre me apoiou e continua apoiando.
05: Qual o comportamento
ideal do botonista?
Penso que o comportamento ideal
de um botonista é a “ética”. Se ele tiver ética, a boa-educação, o respeito ao
adversário, a esportividade serão conseqüências de suas atitudes.
06: Quais são as maiores
qualidades e os defeitos da regra de três toques?
A grande virtude da regra dos
três toques é que além das mãos, você precisa utilizar muito o cérebro para
praticá-la. Ironicamente, o excesso da utilização do cérebro acaba prejudicando
a nossa regra pois como a compreensão dela é muito lenta isso acaba afastando
novos adeptos.
07: Quais os botonistas que,
ao longo de sua carreira, mais o incentivaram?
O meu maior incentivador foi o
Rubens Abuliack, meu primeiro parceiro de torneios em equipes. Outros botonistas
também me incentivaram muito: Benjamin Abaliac, Sérgio Burnier, Josué de Castro.
Hoje meus grandes incentivadores são o Lorival Ribeiro e o Eduardo Guerra.
08: Quais mais o
influenciaram e impressionaram?
Os botonistas que mais me
influenciaram foram o Benajmin Abaliac e o Sérgio Burnier. Os que mais me
impressionaram foram, quando o bloqueio era permitido, o Ronald e o Edson Meinel
e na regra atual, o Bruno de Castro de volume do jogo e o Lorival pela
objetividade.
09: O futebol de mesa não se
resume apenas aos títulos e troféus conquistados. Quais foram as suas maiores
alegrias na carreira? E as maiores tristezas ou decepções?
As maiores alegrias são as
amizades que você conquista. Hoje tenho amigos que são muito valiosos. Em termos
de campeonatos, o Brasileiro Interclubes de 2006 conquistado pelo VASCO foi sem
dúvida alguma a grande alegria que tive na minha carreira. Conquistar um título
pelo Clube do meu coração foi uma emoção “impagável”. Já o Brasileiro
Interclubes de 1999 talvez tenha sido a minha grande tristeza já que estávamos
muito bem preparados para buscar mais um título que acabou não acontecendo ao
perdermos a final para o Satélite (RJ).
10: Qual a sua partida que
você chamaria de inesquecível?
O jogo decisivo do Brasileiro
Interclubes de 2006 que culminou na conquista do titulo pelo VASCO, meu clube do
coração. Como o campeonato foi em turno corrido, na antepenúltima rodada o VASCO
e o Grêmio Mineiro fizeram o jogo que poderíamos definir como a “decisão” do
campeonato pois, pelos jogos que faltavam, quem vencesse fatalmente seria
campeão. E o meu adversário foi justamente o maior botonista que meus olhos
viram jogar, Lorival Ribeiro. Como o empate era um bom resultado para a nossa
equipe, decidimos que o meu jogo seria para empatar com o Lorival. Em menos de
cinco minutos o Lorival já estava me vencendo por 2x0, achei que iria tomar uma
sonora goleada pois o primeiro tempo foi um verdadeiro massacre onde no meu time
só o goleiro “Barbosa” jogava porém, no finalzinho eu simplesmente “achei” um
gol no único chute que dei. Com isso para o segundo tempo mantivemos a mesma
“tática”, ou seja não deveria me expor pois, de repente poderia achar um gol e
empatar a partida. E foi justamente isso que aconteceu, o Lorival não conseguiu
dilatar o placar e me mantive vivo na partida tranqüilizando meus companheiros.
Com os resultados das outras três partidas finalizados, o jogo das equipes
estava empatado em 1x1, o que já era ótimo para nós. Só sobrou o meu jogo para
definir o placar final e nos acréscimos o Lorival foi bater um lateral cavado na
sua defesa rolando a bola para a linha de fundo visando manter a posse dela só
que acabou cedendo o corner. Bati o corner, dei um passe difícil e sobrou um
“meio-prego”. Pedi a gol e acabei fazendo um golaço empatando o meu jogo, dando
a vitória ao VASCO por 1x0 e praticamente selando a nossa conquista. Fato que
ocorreu na rodada seguinte. Foi uma partida sensacional e inesquecível, tanto a
individual quanto a de equipes.
11: Qual a sua pior partida,
aquela que você não gostaria de lembrar?
Foram tantas horríveis que já nem consigo lembrar da pior.
12: Descreva um fato pitoresco acontecido no futebol
de mesa, dentro ou fora da mesa.
Foram dois logo no inicio da minha carreira, no Grêmio Mineiro. Fazíamos as
rodadas dentro de um bar que ficava fechado a tarde. Um botonista chamado Galba
fez um gol e saiu atravessando o salão gritando, de repente escutamos uma freada
de um carro, corremos para ver e lá estava o Galba com o carro bem em cima dele
e o motorista xingando ele de tudo quanto é nome. Quase morreu atropelado
“jogando botão”!!!!! Outro fato engraçado foi com um botonista que só tomava
goleadas e num torneio, o placar mínimo que ele havia perdido foi de 8x0 (todo
mundo queria fazer saldo de gol nele). Neste torneio ele estava jogando e
perdendo de 3x0 até que o juiz apitou uma falta contra ele e ele resolver tirar
o time de campo alegando que o juiz estava “roubando” ele. Foi aí que o
adversário chegou perto dele e disse: “Fulano não faz isso comigo não!!!!!”.
13: Qual o tipo de time
ideal na sua opinião? Bainha, altura, diâmetro etc.
Na realidade, não existe time
ideal, o que existe é a “mão ideal” e, elas devem ter o formato das mãos do
Bruno, Lorival, Stumpf, Marcus, Thiago Stefan.
14: Existe uma conscientização generalizada em favor
do "fair-play" nas competições esportivas. Apesar dos "quilômetros rodados", o
que tira você do sério numa competição de futebol de mesa?
O
que me tira do sério são as pessoas que ficam pregando “moralismo” no nosso
movimento e só fazem lambança. Acham que só eles é que são vítimas. Vamos
crescer um pouquinho pessoal!!!!
15: No seu mandato na CBFM,
conte-nos quais foram as suas grandes realizações e o que você queria fazer mas
infelizmente por algum motivo não conseguiu e quais foram as suas grandes
dificuldades durante o seu mandato.
Penso que o mandato
Thiago-Guto-Paulo Sérgio resgatou a “organização” no nosso movimento. Reativamos
o REFIL, fato que já vem sendo adotado pelas outras modalidades (que diria que a
nossa regra iria servir de exemplo!!). Conseguimos refilar mais de 200
botonistas e incorporar novos centros no nosso movimento. Criamos também o
regulamento padrão para as competições, criamos a Copa do Brasil (competição
nacional que é jogada num sábado e domingo) competição esta que muitos falavam
não iria vingar por ser fora de feriado. Vingou porque todas foram bem
organizadas e se tem organização tem participante. Uma das metas que não
atingimos foi a criação do Caderno de Encargos para as cidades que quisessem
promover competições. Penso que foi uma boa gestão pois a gestão atual
praticamente deu seqüência e melhorou tudo o que criamos.
16: Na sua opinião, qual o
maior problema enfrentado pela CBFM 3 toques no momento?
O grande problema da nossa
regra é que pouquíssimas pessoas querem trabalhar e a grande maioria só quer
saber de colocar o time na mesa e ficar reclamando que o movimento é
desorganizado ou que a nossa regra é complicada. A nossa regra não é complicada.
Complicadas e individualistas são as pessoas que jogam na nossa regra.
17: Que sugestões você daria
para que o nosso movimento volte a crescer?
TRABALHO e PREDISPOSIÇÃO de
todos em colaborar. Não adianta poucos trabalharem e muitos não fazerem
absolutamente nada. Precisamos que as pessoas também assumam a organização das
Federações e façam elas crescerem. Se a Confederação for organizada, o movimento
não vai morrer porém, não vai crescer. O que fará com que o nosso movimento
volte a crescer é promover o renascimento das Federações que tem basicamente
quatro obrigações: 1) Estarem com a documentação regularizada para terem acesso
às verbas públicas, 2) Organizar competições, 3) Promover a criação de novos
Clubes 4) Integrar esses Clubes ao movimento . É importante lembrar que os
governos federal e estaduais disponibilizam verbas para as modalidades
esportivas (o futebol de mesa é reconhecido como esporte) se desenvolverem
porém, é necessário que a Confederação e as Federações estejam totalmente
enquadradas nas leis vigentes. Quem vai fazer isso tudo 4 ou 5 pessoas???
18. Quais são seus projetos
para o futuro no nosso movimento?
Tenho dois projetos: O primeiro
é consolidar o Liberdade como um Clube e não apenas como um grupo de pessoas
amigas que se reúnem para jogar estaduais e brasileiros. Temos muito trabalho
pois em cidade grande não é fácil conseguir apoio financeiro e espaço físico
para isso. O outro projeto é ajudar a criar e manter regularizada a nova
Federação Mineira para buscarmos apoio financeiro de órgãos públicos.
19: Um sonho que você ainda
não realizou no futebol de mesa.
Depois de já realizar o sonho
de ser campeão pelo VASCO, meu novo e grande sonho no futebol de mesa é disputar
o título de um brasileiro interclubes na mesma equipe do meu filho, Pedro.
20: É comum em nossas
conversas surgirem listas dos cinco mais, os "TOP FIVE". Na sua opinião:
Quais os cinco melhores técnicos da nossa regra?
Vou dividir a nossa regra em
duas “eras”: Na “era do bloqueio” cito o Ronald de São José dos Campos, o Edson
Meinel do Rio de Janeiro, o José Ricardo de Brasília, Carlos Antonio e o
Tavares, ambos de Juiz de Fora. Na “era atual” cito o Lorival Ribeiro de Belo
Horizonte, o Bruno de Castro do Rio de Janeiro, o Leonardo Stumpf, o Renato
Baumgratz e o Marcus, os três de Juiz de Fora
21: Quais os cinco melhores
dirigentes do futebol de mesa com que você já trabalhou?
Alguns eu não trabalhei junto,
porém fizeram um trabalho tão bom que colhemos frutos até hoje. Vou citar seis:
João Paulo Mury, Orlando Campos Junior, estes pela fase de implantação e
consolidação da nossa regra no pais. Benjamin Abaliac e José Henrique Winter,
estes consolidação e “supremacia” da nossa regra na sua cidade. Carlos Augusto
Mendes Bittar e Leonardo Stumpf pelo esforço na tentativa de reerguer o nosso
movimento.
22: Quais os cinco melhores
botonistas com quem já teve oportunidade de atuar em equipe?
Não vou citar os cinco
melhores, vou citar os cinco que mais gostei de jogar: Rubens Abuliack, Lorival
Ribeiro, Benjamin Abaliac, Thiago Palhares e Eduardo Guerra.
23: Quais os cinco melhores
árbitros do futebol de mesa?
Bruno de Castro, Thiago Stefan,
Miguel Lemos, Evandro Gomes e José Ricardo Caldas e Almeida
24: Belo Horizonte tinha um
grande número de botonistas no Grêmio Mineiro. Quais os motivos que levaram à
criação do Liberdade ? Por que muitos que estão no Liberdade hoje não optaram em
continuar no Grêmio Mineiro ?
O principal motivo que levou a
criação do Liberdade foi a necessidade de se jogar num horário diferente do
sábado a tarde que é o horário de funcionamento do Grêmio Mineiro. Hoje jogamos
no Liberdade às terças-feiras à noite. Penso que todos que estão hoje no
Liberdade não voltaram para o Grêmio justamente pela opção do horário e também
pela amizade que foi consolidada pela criação do novo Clube. Com certeza o
Grêmio Mineiro continua sendo o segundo clube do coração de cada um do
Liberdade. No meu caso o Grêmio é o terceiro pois em matéria de esporte o VASCO
sempre estará em primeiríssimo lugar!!!!!
25: Finalizando, deixe o seu
recado ou impressões sobre o tema que preferir.
Hoje o nosso movimento está
discutindo alterações para a regras atuais. Volto a repetir que o nosso problema
não é a regra, basta verificarem que todos os botonistas que jogam em outras
regras e conhecem a nossa, definem a nossa como a melhor. Portanto, o nosso
movimento deveria discutir “ATITUDE”. Cabe a cada um de nós refletir e verificar
que tido de ação deveria tomar para efetivamente se tornar uma peça importante
na revitalização do nosso movimento. Abraços a todos e obrigado à CBFM pelo
convite da entrevista.